segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Sociopatas: Uma Breve Descrição

Sociopatas têm sérias dificuldades para sentir empatia em relação aos outros. Em outras palavras, eles acham extremamente difícil e em alguns casos até impossível se colocar na posição da outra pessoa. É por causa disso que tantas vezes eles são indelicados e insensíveis, divertindo-se em humilhar e depreciar.

Sua predisposição para falar o que querem sem se importar com a verdade em conjunto com o seu narcisismo exacerbado, levam-nos a contar histórias mirabolantes em que eles são os heróis e em que os seus opositores são sempre maus e culpados por tudo. Valendo-se de mentiras ou de meias verdades, o psicopata manipula quem ele quer,  para obter lucro pessoal ou simplesmente para se divertir.

O sociopata tem emoções rasas. Ele é extremamente habilidoso em demonstrar amizade, carinho e consideração para ganhar a confiança das pessoas. Mas suas emoções em grande parte são superficiais e as demonstrações de cuidado não passam de mero teatro. Até mesmo suas demonstrações de raiva são artificiais. Logo depois de um ataque de ira, o psicopata retorna ao estado normal, deixando claro que não provou do sentimento como uma pessoa normal provaria.

Psicopatas têm comportamento impulsivo e irresponsável; com frequência não se mantêm no trabalho e não administram bem as suas contas.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Abuso Verbal

“Você é sensível demais.”
Se você já ouviu essa frase, é possível que já tenha sido vítima de abuso verbal.

O abuso verbal é uma das armas utilizadas pelos sociopatas para imobilizar suas vítimas. Suas cicatrizes emocionais com frequência são mais profundas que cicatrizes de agressões físicas. O abuso verbal torna as pessoas inseguras, com a autoestima em pedaços e por vezes com sérias dificuldades para enfrentar os desafios da vida.

Boa parte das pessoas não percebe que está sofrendo abuso verbal. Isso ocorre principalmente quando ele vem de alguém que a vítima pensa que gosta dela ou de alguém em posição de autoridade, como um chefe, um genitor ou um irmão mais velho.

Na maioria das vezes o abuso é seletivo, isto é, tem endereço certo. O abusador se encarregará de esconder a agressão das pessoas ao redor o quanto puder. Dessa forma, ele garante que ninguém vai dar crédito à vítima se esta resolver denunciá-lo. G Ballone diz: “O sociopata leva uma vida dupla: mantém uma aparência e atividades cotidianas normais, mas essa imagem não corresponde à sua realidade íntima, anormal, doentia, que só é revelada a suas vítimas, quando estão indefesas.” Por isso fique atento: alguém bem próximo a você pode estar sendo a vítima..

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Afinal, o Sociopata Tem Jeito?

“O psicopata não tem uma psicopatia, no sentido de quem tem uma tuberculose, ou algo transitório, mas ele é um psicopata. Psicopata é uma maneira de ser no mundo, é uma maneira de ser estável.” Schineider

“É mais sensato falarmos em ajuda e tratamento para as vítimas dos psicopatas do que para eles mesmos.” Ana Beatriz Barbosa

A opinião da maioria dos especialistas é que, diferentemente dos indivíduos portadores de outros transtornos psiquiátricos (como esquizofrenia, ansiedade, distúrbio bipolar ou depressão), sociopatas não podem ser ajudados, nem por meio de psicoterapia nem através do uso de medicamentos. Em realidade, para o sucesso no tratamento de qualquer transtorno psicológico/psiquiátrico, é fundamental que o paciente sinta a necessidade de mudança. O sociopata, contudo, carece desse desejo; ele é bastante satisfeito em ser como é.

Quando submetido a algum tipo de psicoterapia, é mais provável que se utilize das informações obtidas nas sessões para aperfeiçoar seu jogo de manipulação e sedução. Sociopatas incorporam os jargões aprendidos e tornam-se mais e mais capazes de ludibriar e fazer o mal.Podem, contudo, dissimular seu verdadeiro caráter, para obter vantagens imediatas, como redução da pena ou obtenção de liberdade condicional, como já dissemos. O tempo, entretanto, trará à luz suas falcatruas de praxe.

Mentirosos Patológicos

Um mentiroso patológico é normalmente definido como alguém que mente incessantemente para sair-se bem, sem a menor preocupação com os outros. Mentira patológica é geralmente vista como um mecanismo desenvolvido bem cedo na infância para lidar com o mundo, estando frequentemente associada com algum outro tipo de desordem mental. Um indivíduo mentiroso patológico frequentemente sabe onde quer chegar (ou seja, suas mentiras têm um propósito). Esses indivíduos têm pouca consideração ou respeito pelos direitos e sentimentos alheios. Eles são vistos como manipuladores, autocentrados e espertalhões. Suas emoções são rasas, mas seu teatro e sua boa conversa são capazes de ludibriar qualquer um. Esses indivíduos podem simular qualquer coisa para atingir o que querem: eles são mentirosos patológicos!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Atuando Como o Coitadinho

“Esta tática envolve atuar como uma vítima inocente de uma dada circunstância ou do comportamento de alguém, com vistas a ganhar simpatia, evocar sentimentos de compaixão e assim obter algum lucro da vítima. Se há algo que pessoas de personalidade agressiva têm por certa é o fato de que indivíduos com personalidades menos insensíveis e hostis normalmente não conseguem ver ninguém sofrendo. Com isso, a tática é simples. Convença a sua vítima de que você está tendo algum tipo de sofrimento, e ela tentará aliviar a sua dor.” George K. Simon

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Psicopatas Não São Loucos: Entendendo a Loucura

Um dos mitos que envolvem a figura do sociopata é o de pensar que ele é louco (ou, por utilizar um termo técnico, psicótico). Vejamos sucintamente a diferença entre os indivíduos psicóticos e os psicopatas.

Pacientes com transtornos psicóticos frequentemente alimentam crenças que não são apenas falsas, mas também bizarras, inconsistentes e quase sempre impossíveis de serem removidas, mesmo mediantes demonstrações convincentes de sua impossibilidade. Muitos escutam vozes imaginárias ou apresentam crenças irredutíveis de que pessoas ou governos estão tramando um plano para arruiná-los, por exemplo. O protótipo da psicose (ou loucura) é a esquizofrenia, uma doença debilitante que, se não tratada, torna o paciente completamente incapacitado para as interações da vida.

O psicopata, por outro lado, não apresenta os sinais descritos acima. Ele não tem problema algum no seu raciocínio ou na sua percepção do mundo externo. É capaz de executar suas atividades como qualquer outro cidadão, sem sofrer com qualquer tipo de delírio ou alucinação.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Gaslighting

Esta gíria em inglês descreve uma tática utilizada pelos psicopatas para cometer abuso verbal e emocional. O termo significa “fazer alguém enlouquecer”. O agressor jura que nunca disse certas coisas e que certos fatos nunca aconteceram. A vítima reconhece a mentira, mas, à medida que isso se repete, começa a pensar que está enlouquecendo. Se você está sendo vítima de gaslighting mantenha-se longe do seu agressor, jamais tenha dúvidas sobre o que você sabe ser verdade e nunca pense que está ficando louco.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Manipuladores no Ataque

Manipuladores se utilizam de abuso verbal para enfraquecer a percepção de suas vítimas, manipulá-las como querem, torná-las dependentes, privá-las da verdade e isolá-las das outras pessoas. Eles omitem a verdade e inventam histórias falsas para atingirem seus objetivos. Causam com isso grande confusão, angústia e transtornos emocionais em suas vítimas. Algumas vezes, contudo, e de maneira imprevisível,  assumem uma postura carinhosa e afável, comportando-se como seus amigos íntimos. Essa mudança de comportamento determina um alívio temporário à dor da vítima, fazendo com que ela se reaproxime do seu agressor e assim se torne mais dependente dele. Manipuladores esmagam suas vítimas e exercem domínio sobre elas de uma forma tão sutil que somente elas, e (quase) mais ninguém, conseguem perceber. Ao mesmo tempo, posam para o mundo como pessoas bem-humoradas, cidadãos de bem e pais exemplares.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Não Se Engane: Estas Pessoas de Fato Existem

Quase todo mundo acredita que tanto atos extremos de bondade e altruísmo quanto atos de crueldade singular são passíveis de serem praticados por qualquer ser humano, dependendo da situação que a pessoa esteja atravessando. Paradoxalmente, quando nos deparamos com um caso real de crime hediondo, nos perguntamos como é possível que um ser humano como nós possa fazer algo assim. Nós simplesmente não acreditamos que esse mal possa realmente existir – e, quando nos deparamos inegavelmente com ele, podemos ser tentados a atribuí-lo a causas sobrenaturais, invocando, por exemplo, a ação do próprio demônio.

Dr. Morrison, falando sobre as causas que atribuímos ao tentar explicar o comportamento dos psicopatas violentos, diz: “A espiritualidade é importante, mas não é ela que causa ou previne a ação dos serial killers. Álcool e drogas também não são os responsáveis por assassinatos em série. Este é apenas um mito que as pessoas acalentam. E ninguém aqui está ignorando a espiritualidade. Mas eu estou falando de indivíduos que são frequentemente aquilo que nós chamaríamos de a personificação do mal.”

Aqui cabe uma reflexão. Nós lhe perguntamos: Você, em sã consciência, seria capaz de abandonar seu filho recém-nascido num cesto de lixo? Você, em sã consciência, seria capaz de ludibriar um pobre aposentado para ficar com todo o dinheiro que ele acabou de receber? Você, em sã consciência, seria capaz de magoar ou fazer sofrer um filho, um amigo ou quem quer que seja, pelo simples fato de se divertir com a tristeza alheia? Você, em sã consciência, seria capaz de planejar friamente o assassinato de seus pais?

Certamente a resposta para todas essas perguntas foi um ressonante não. Por quê? Simplesmente porque, como afirma a Dra. Ana Beatriz Barbosa, atos como esses “não são provenientes de uma natureza humana normal”. A mesma médica complementa: “Tais ações só são possíveis de serem realizadas por uma característica que foge totalmente à nossa natureza humana genuína, e essa particularidade é a frieza e a completa falta de consciência”, presentes apenas nos sociopatas.

Portanto, que fique bastante claro em sua mente. Pessoas que praticam atos deliberados de maldade contra seus semelhantes existem, sim, de fato e de verdade. Mas, ao contrário do que alguém poderia imaginar, a maioria das pessoas j a m a i s seria capaz de praticar um terço dos atos praticados pelos sociopatas, mesmo em situações extremas.

Acreditar que qualquer um, em situações extremas pode se tornar um abusador ou um serial killer, ou descrer que pessoas do mal de fato existem transforma você numa vítima em potencial para a ação dos sociopatas. Por quê? Porque eles são indivíduos que passam completamente despercebidos na sociedade. Ficam escondidos, à espreita, esperando o momento de dar o bote e lhe capturar em sua armadilha, cuidadosamente preparada para laçar o desavisado.

Precisamente porque a maioria dos seres humanos têm um senso instintivo de altruísmo e de agir dentro das normas, eles são incapazes de ver quando outro ser humano não compartilha desses atributos. A credulidade e a boa fé dos cidadãos de bem é a terra fértil onde germinam as sementes da maldade dos sociopatas. Por outro lado, se você está sendo vítima de alguém com as características que delineamos neste texto, não hesite em reconhecer que provavelmente você se envolveu com um sociopata de carne e osso. É bastante provável que, mesmo diante de todas as evidências, você ainda esteja em dúvida quanto ao caráter do seu agressor. Isso ocorre por causa extremo poder de sedução que os psicopatas têm: suas vítimas, em meio a um turbilhão de agressões e calúnias, ainda persistem em tentar encontrar alguma razão que justifique as más ações deles e ainda alimentam esperanças de ter um relacionamento normal com o seu agressor. Não se engane! Não caia neste erro!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Afinal, Onde Está o Problema?

Não é nosso objetivo no momento, para tentar explicar anátomo-fisiologicamente o que acontece no cérebro dos sociopatas. Em rápidas palavras, contudo, podemos dizer que, aparentemente, os desvios de comportamento desses indivíduos advêm de uma má conexão entre as áreas do cérebro responsáveis pelo processamento das emoções (sistema límbico) com aquelas responsáveis pelo raciocínio crítico (lobo pré-frontal). Devido a esse defeito, os sociopatas não conseguem sentir que algo é errado, embora possam sabê-lo racionalmente. Em posts futuros, detalharemos mais este aspecto.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Guia de Sobrevivência

Embora ninguém seja completamente imune às maquinações dos psicopatas, aqui vão algumas dicas para lhe ajudar a escapar antes de cair na armadilha de um deles.

  1. Saiba com quem você está lidando – Isso parece uma tarefa fácil, mas pode ser de fato bastante difícil. Todo o conhecimento adquirido por meio de leituras não o tornará necessariamente imune aos efeitos devastadores da ação de um psicopata. Qualquer um, incluindo especialistas em psicopatia, pode ser ludibriado por um deles. “A bajulação excessiva, o agradar afetado e pouco realista é uma das táticas dos psicopatas para nos cegar, seduzir e encobrir suas verdadeiras intenções: manipulação e controle”, afirma a psiquiatra Ana Beatriz. Portanto, olhos bem abertos!
  2. Não se deixe influenciar facilmente – Não é fácil ficar imune ao sorriso encantador, à linguagem corporal cativante e ao modo rápido de falar típico do psicopata. Ele se utiliza dessas técnicas para cegar suas potenciais vítimas, ocultando suas reais intenções, que são a autogratificação e o exercício do poder. Esteja atento.
  3. Fique atento quando conhecer alguém – Não seja ingênuo. Quando conhecer uma nova pessoa, seja um colega de trabalho, um amigo ou um namorado, procure pelos sinais de alerta. Não compartilhe coisas importantes de sua vida nos primeiros encontros. Sociopatas, bem mais do que qualquer outra pessoa, sabem como camuflar perfeitamente o seu lado negro, para darem uma boa primeira impressão. Mais cedo ou mais tarde, contudo, eles sempre deixam escapar alguma coisa. Se você estiver atento, poderá pegar o fio do novelo e descobrir muita coisa escondida...
  4. Tenha especial cuidado em determinadas situações – Algumas situações são especialmente chamativas à ação de psicopatas: bares, cruzeiros, aeroportos internacionais. Em todos esses casos, a vítima em potencial está só e em busca de passa-tempo ou de divertir-se em boa companhia. É precisamente aí que surge o predador.
  5. Conheça-se a si mesmo – Psicopatas são incrivelmente habilidosos em explorar os pontos fracos das pessoas. Como já dissemos, eles são especialistas em detectá-los. Sua melhor defesa é conhecer suas próprias vulnerabilidades e ficar antenado a qualquer um que se fixe nelas.

Infelizmente, por mais precauções que tomemos, nada pode garantir que não seremos pegos desprevenidos. Se você foi ou está sendo vítima de um sociopata, procure reduzir ao máximo os efeitos nocivos de suas ações. Sabemos que não é fácil, mas estas sugestões poderão ser úteis:

  1. Procure a ajuda de um profissional – Médicos e psicólogos com experiência em sociopatia estão aptos para oferecer o suporte de que você necessita. Portanto, não hesite em procurá-los.
  2. Não se culpe e não deixe que ele lhe culpe – Quaisquer que sejam as razões por você ter se envolvido com um sociopata, é de fundamental importância que você não se culpe pelas atitudes e comportamento dele. Ele tentará convencê-lo de todas as formas que você é o culpado por ele estar agindo como age. Ele tem uma habilidade incrível de inverter os papéis, transformando você no algoz e se transformando, ele mesmo, na vítima. Nunca aceite o seu jogo. Não acredite também quando ele disser que age da mesma forma com todas as pessoas e que somente você é sensível. Tenha convicção plena de que a vítima é você e não ele.
  3. Saiba que você não está sozinho – Na maioria das vezes, os ataques de um sociopata não se restringem a uma única pessoa. Sendo assim, é bastante provável que outros também estejam sendo, de uma forma ou de outra, vítimas da mesma pessoa que lhe agride, e é bem provável que você fique sabendo de alguma história semelhante à sua. Se este for o seu caso, tente uma aproximação com seus companheiros de sofrimento. O apoio que eles lhe darão é de valor inestimável para que você consiga se libertar, primeiro emocional e depois totalmente, do seu algoz. Mas tenha em mente que, assim como você, todas as vítimas simpatizam pouco com a idéia de falar sobre o assunto, por temerem retaliações. Lembre-se também de que o agressor está atento aos seus passos, e tentará o quanto puder mantê-lo afastado das pessoas que podem de alguma maneira ajudá-lo a sair da situação em que você está, seja por vindicar onisciência quanto a tudo o que você conversa e faz, seja por caluniá-lo, ou então por ameaçá-lo abertamente, obrigando-o a se manter longe dos outros.
  4. Não se esqueça: psicopatas têm uma forte necessidade de exercer controle físico e mental sobre as outras pessoas. Lutar contra eles não será fácil e poderá lhe custar muito desgaste e sofrimento, emocional e/ou mesmo físico.
  5. Estabeleça as regras do jogo – Como dissemos, a disputa de poder com um psicopata é tarefa árdua, podendo inclusive se tornar arriscada. Contudo, você deve estabelecer limites fixos para ele. Não permita que ele perpetue as agressões e não caia no jogo que ele fará para despistá-lo de seu objetivo.
  6. Não espere mudanças dramáticas – É bastante improvável que qualquer coisa que você venha a fazer produza alguma mudança real e duradoura no modo como o seu agressor encara a vida e trata os outros. Não assuma para você a tarefa de transformá-lo numa pessoa de bem.
  7. Não caia no jogo do coitadinho – Uma das maneiras que o sociopata utilizará para se manter no poder é apelando para a sua compaixão. Quando perceber que você está ameaçando escapar, ele poderá apelar para a sua compaixão, teatralizando arrependimento, alegando carência afetiva, problemas financeiros ou alguma doença. A psiquiatra Ana Beatriz afirma: “A piedade, a compaixão e a solidariedade são forças para o bem quando direcionadas às pessoas que de fato merecem e precisam de tais sentimentos. No entanto, quando esses mesmos sentimentos são direcionados a pessoas que apresentam comportamentos inescrupulosos de forma consistente e repetitiva, temos que considerar isso como um aviso de que algo está muito errado. É um sinal de alarme que não podemos ignorar.”
  8. Pule fora o quanto antes – A imensa maioria das vítimas dos psicopatas termina por se sentir confusa e sem esperança. Ficam convencidas de que são as culpadas pelo insucesso do relacionamento. E no afã de corrigir o problema, continuam cedendo mais e mais, alimentando uma esperança vã. O melhor a fazer é simplesmente aceitar o fato de que você foi enganado e saber que, quanto mais ceder, mais o psicopata vai levar vantagem às suas custas. Ele tem uma sede insaciável por controle e poder. Pule fora. A sociopatia é uma doença difícil de ser detectada, já que o sociopata se esconde por trás de suas máscaras o tempo inteiro. Por esse motivo, mesmo após anos de convivência, pouquíssimas pessoas são capazes de compreender o “lado negro” dessas criaturas, ainda que tenha relances dos seus maus comportamentos. Sendo assim, afaste-se do seu agressor o quanto antes, ainda que todos à sua volta não compreendam sua atitude e lhe julguem mal. A única maneira de vencê-lo é se afastando dele. Portanto, force-se a cumprir esta regra: contato zero.
  9. Associe-se a grupos de apoio – Procure ajuda de pessoas que estão sofrendo com o mesmo problema. A internet está repleta de fóruns de discussão sobre o tema, embora a maioria deles em inglês. Uma busca rápida no Google será de grande valia.
  10. Cuidado com as recaídas – Mesmo após meses ou anos, o sociopata poderá querer lhe laçar de novo. Ele virá com os mesmos recursos de sempre, talvez dizendo que mudou, que agora é uma outra pessoa. Cuidado! Lembre-se disto:
    psicopatas nunca mudam!

sábado, 27 de dezembro de 2008

Indivíduos "Seminormais": O Psicopata Não Grave

A grande maioria dos psicopatas não preenche todos os critérios da escala Hare. Eles são o que o Dr. Martin Kanton, em seu livro The Psychopathy of Everyday Life – How Antisocial Personality Disorder Affects all of Us, chama de “seminormais”. Hare os denomina “Psicopatas de Sucesso”, pois conseguem se manter longe dos presídios e de terem problemas com a justiça. Algumas características desses indivíduos:
  1. Retêm alguma capacidade de sentir amor e empatia, bem como de demonstrar sentimentos nobres, como a piedade e o altruísmo – Isso faz que maneirem as atitudes quando vão praticar algum ato ilícito contra alguém. Todavia, Dr. Martin Kanton acredita que, ainda quando demonstra sentir empatia, o sociopata visa a algum tipo de benefício próprio; por exemplo, ele pode ser empático, ao mesmo tempo em que analisa se consegue manipular determinada pessoa sem grandes dificuldades, ie, se ela se trata de uma peça fácil de manobrar, dentro do seu jogo de poder.
  2. Retêm alguma capacidade de sentir culpa – Podem inclusive se desculpar pelos erros cometidos; isso, contudo, não fará diferença prática para evitar futuras agressões;
  3. Tendem a exibir menos que 3 dos critérios do DSM-IV;
  4. Consciente ou inconscientemente, tendem a exibir as características menos graves e menos perigosas da personalidade psicopática;
  5. “Psicopatas de sucesso” tendem a não se comportar durante todo o tempo e em todas as situações como psicopatas que são; em outras palavras, mais ainda que os psicopatas graves, esses indivíduos são idênticos às pessoas normais, ficando completamente camuflados na sociedade. Schneider afirma: “A conduta do psicopata nem sempre é toda psicopática, existindo momentos, fases e circunstâncias de condutas adaptadas, as quais permitem que ele passe despercebido em muitas áreas do desempenho social. Essa dissimulação garante sua sobrevivência social.”
  6. Algumas vezes fazem uma mudança positiva quando são pegos em algum ato irregular ou quando seus planos falham. Conquanto raramente admitam que são maus indivíduos, que cometeram um dado erro ou que necessitam do perdão de alguém, em algumas situações (e sem pensar duas vezes) eles simplesmente podem mudar de comportamento, surpreendendo a todos. Por exemplo, um criminoso pego em flagrante pode decidir abandonar o crime e começar a escrever um livro sobre suas experiências.

Em grande parte, sociopatas não graves obtêm sucesso (isto é, conseguem levar a vida como alguém normal) devido à sua surpreendente habilidade de camuflar suas tendências negativas – seus instintos hostis, por exemplo – numa fachada criativa-interpessoal-social positiva; entretanto, mesmo esta aparência lapidada retém algumas características do original psicopático.

Por exemplo, Robert Simon descreve os “sociopatas de sucesso” como indivíduos que tendem a levar uma vida de parasitismo e exploração dos outros, embora não se envolvam em delitos de maior monta. Estes últimos normalmente ficam por conta dos psicopatas mais agressivos.

“Indivíduos seminormais” raramente entram em frias tanto quanto esperaríamos para o comportamento deles. Quando estão em apuros, frequentemente se utilizam de suas táticas de manipulação e conseguem se safar. Eles são particularmente hábeis em fazer com que os outros simpatizem com eles e os tratem de maneira gentil e não punitiva.

Os que ainda conseguem manter-se no trabalho (lembre-se que sociopatas, por sua tendência à monotonia, geralmente não conseguem se fixar em nenhum emprego) vão utilizá-lo como uma ferramenta para satisfazer seus instintos sórdidos. A Dra. Ana Beatriz nos conta: “A grande maioria dos psicopatas utiliza suas atividades profissionais para conquistar poder e controle sobre as pessoas. Essas ocupações podem auxiliá-los ainda na camuflagem social daqueles que não levam uma vida francamente marginal (delinqüentes mais perigosos).”

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Ausência de Objetivos de Longo Prazo

Esta característica é particularmente observável nos psicopatas mais graves. Psicopatas leves e moderados, denominados por Hare como “Sociopatas de Sucesso”, planejam, executam e atingem, sim, planos. São eles que galgam posições de destaque na sociedade e, por meio delas, promovem a discórdia e a destruição por onde passam.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Mau Comportamento Relacionado ao Consumo de Álcool e Outras Substâncias

Psicopatas podem ter problemas com o abuso de álcool; contudo, nem todos seguem essa regra. Em breve, mais informações sobre este tópico.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Falsidade e Insinceridade

O psicopata demonstra uma marcante desconsideração pela verdade e não deve ser levado em consideração quando faz relatos sobre o passado, promessas sobre o futuro ou fala de suas intenções presentes. Ele faz promessas solenes e se esquiva de acusações, sejam elas graves ou banais, com a maior facilidade. Em seus mais solenes perjúrios, não tem a mínima dificuldade em olhar tranquilamente nos olhos das outras pessoas: transparência e confiabilidade parecem fazer parte deles. Por outro lado, em algumas situações, o psciopata reconhece os seus próprios erros (especialmente quando está para ser descoberto) e aparenta encarar as conseqüências deles com singular honestidade e coragem. É realmente difícil expressar quão completamente honesto e normal um psicopata pode parecer ser. Psicopatas conseguem ludibriar não somente aqueles que não estão familiarizados esse perfil de comportamento, mas frequentemente também os que já conhecem bem sua capacidade de aparentar honestidade. Depois de serem pegos em graves e embaraçosas falsidades, depois de violarem repetidamente seus mais solenes juramentos, o psicopata facilmente fala da honradez de suas palavras e de seu caráter, demonstrando surpresa e vexame quando se diz o contrário sobre eles.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Egocentrismo e Egoísmo

Sociopatas, como bons narcisistas, são egoístas. Agem como se fossem o centro do universo; acreditam que todas as outras pessoas devem girar em torno deles. Psicopatas pensam serem os indivíduos que falam melhor, que se vestem melhor e que têm melhor capacidade de organização e de enfrentamento dos problemas da vida. Fazem as suas próprias leis, por não compreenderem o significado do bem comum. Alguns são incapazes de se integrar a qualquer grupo, por não aceitarem as regras sociais que todos têm por certas. Só o que eles querem é o que interessa. Na realidade, só levam em consideração as regras sociais para utilizá-las a seu favor. Por causa disso, muitos colecionam ex-amigos. No início, até conseguem fazer amizades com facilidade; entretanto, diante dos primeiros conflitos, seu verdadeiro caráter aparece sem deixar dúvidas. Dessa maneira, em pouco tempo terminam por ser rejeitados por amigos individuais ou por grupos inteiros. Por causa disso, os sociopatas tendem a ser solitários, alguns migrando de grupo em grupo, ou evitando o encontro de amigos de diferentes grupos, por temerem que suas falhas de conduta sejam mencionadas. Mesmo no ambiente familiar, o psicopata tem dificuldade de adaptação. Sociopatas sempre obtêm dos outros muito mais do que dão. Não economizam, contudo, nas promessas altruísticas. Mesmo suas ações aparentemente altruístas mostram-se muitas vezes autocentradas e com fins à autogratificação. Como sua motivação gira sempre em torno do poder e do status destacado na hierarquia social ou no seu grupo particular, os psicopatas demonstram particular inveja de potenciais concorrentes. Empenham-se em depreciar e humilhar qualquer um que tenha ou que seja mais que eles hierárquica, intelectual, social ou financeiramente. Fazem isso se valendo de tanto de sua lábia quanto de falsas provas que eles mesmos criam para atingir seus objetivos. Tanto agridem a vítima propriamente dita quanto falam mal dela em sua ausência para as pessoas de seu convívio, com vistas a levar todos a pensarem mal dela e acabarem se afastando. Fica claro então que eles se sentem mais confortáveis quando ficam junto apenas de pessoas que estão de alguma maneira abaixo deles em qualquer escala que eles julgam importante para a afirmação de sua própria personalidade narcisista. Só assim se sentem livres brilhar sem nenhum concorrente por perto. Por serem indivíduos extremamente competitivos, os sociopatas transformam interações normais da vida, como diálogos sobre assuntos sem grande importância, em disputas de morte, sempre desejando impor sua opinião como a única correta, e dificilmente dando o braço a torcer, mesmo em face de todas as provas que eventualmente venham a receber em contrário. Torna-se até desnecessário repetir que esta é mais uma maneira que eles encontram para se autoafirmarem como líderes de seus grupos, egocêntricos que são.

domingo, 30 de novembro de 2008

Parasitismo Social

Quando adquirem a confiança de alguém, aproveitam-se enquanto podem, descartando-o depois. É comum que peçam dinheiro emprestado e não paguem. Seu parasitismo é tamanho que chegam a obter vantagens das mesmas pessoas a quem continuamente agridem. Executando o jogo da manipulação dos sentimentos (apelando para a culpa e a piedade da vítima) alternadamente com as agressões físicas, verbais ou psicológicas, o sociopata consegue mantê-la presa a si, enquanto espolia tudo quanto puder.

domingo, 23 de novembro de 2008

Ausência de Delírios ["insanité sans delire"]

Esses indivíduos não têm sinais de qualquer outra doença mental, tal como neuroses, alucinações, delírios, irritações ou psicoses. Podem ter um comportamento tranquilo no relacionamento social normal. Não ficam nervosos facilmente e até se gabam disto diante de suas vítimas (afirmando que eles são os normais, enquanto elas são as desequilibradas, por perderem a compostura quando estão diante deles). Diferentemente das pessoas com transtornos psicóticos, em que frequentemente há perda de contato com a realidade em face das alucinações que tais pacientes têm, os psicopatas são quase sempre muito racionais. Eles têm plena consciência de que suas atitudes são condenáveis pela socidade, mas são totalmente indiferentes a isso. Indivíduos psicóticos raramente são psicopatas.

sábado, 15 de novembro de 2008

Incapacidade de se Responsabilizar por Suas Próprias Ações

Sociopatas têm enorme dificuldade de assumir a responsabilidade por seus atos. Falta neles, em maior ou menor grau, o senso de responsabilidade para a realização de tarefas. Pelo contrário, eles rejeitam responsabilidades e criam desculpas muito bem elaboradas com vistas a manipular as pessoas e levá-las eventualmente a sentir pena deles. E muito além de meros discursos evasivos, eles são extremamente hábeis em despistar as pessoas, fazendo de tudo para impedi-las de identificar e por conseguinte denunciar suas falhas de comportamento. Agem sempre de maneira sofisticada, sutil e esperta, dando sempre o pulo do gato, sempre pegando a todos de surpresa.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Irresponsabilidade e Não Confiabilidade

Embora o psicopata passe a impressão inicial de ser uma pessoa inteiramente confiável, em pouco tempo demonstrará sua ausência de senso de responsabilidade. Não importa quão urgente ou importante seja o compromisso ou as circunstâncias, ele pode cancelá-los no último minuto ou simplesmente não comparecer. E para ele não faz diferença ser chamado atenção ou não por seu mau comportamento: sua atitude permanecerá a mesma. Faz parte do seu histórico desempenho errático com faltas frequentes no trabalho e a permanência em empregos apenas por curtos períodos de tempo; atividades acadêmicas também podem ser negligenciadas, fato especialmente causador de problemas quando a irresponsabilidade do sociopata prejudica o desempenho dos colegas. Socipatas fazem facilmente promessas àqueles que vivem ao seu redor. Vivem por prometer que serão melhores pessoas, que ajudarão alguém em alguma situação ou problema ou que farão isto ou aquilo. Entretanto, em sua maioria, essas promessas são vazias e sem significado, pois ele raramente cumpre alguma. Outra faceta da irresponsabilidade desses indivíduos é a sua dificuldade em honrar suas obrigações financeiras. Sociopatas empurram com a barriga suas dívidas, sempre prometendo que irão pagar, mas continuamente protelando o dia de acertar as contas. Contudo, se todas as suas falhas de comportamento acontecessem uniformemente, todos perceberiam que ele não se trata de alguém confiável, e assim logo se afastariam dele. Por esse motivo, esses indivíduos alternam períodos e situações em que se comportam como pessoas normais com outros em que transparecem seu desvio de conduta. Podem durante algum tempo, por exemplo, ir regularmente ao trabalho, honrar seus compromissos financeiros e até obter títulos honoríficos no trabalho ou universidade. Psicopatas não irão passar a perna em todas as pessoas e em todas as situações ao mesmo tempo. Se isso acontecesse, seria bastante simples lidar com eles. Sua habilidade transiente, mas ao mesmo tempo convincente, de atingir objetivos torna as pessoas ao redor dele perplexas quando eles passam a se comportar da maneira doentia. Para agravar o quadro, não se pode prever por quanto tempo o psicopata vai se comportar de uma maneira socialmente aceitável e quando (ou como) vai agir desonesta, excêntrica ou desastrosamente. No auge do seu sucesso na empresa, ele pode passar um cheque sem fundos, cometer um furto ou não comparecer ao escritório. Semelhantemente, enquanto vive uma ótima fase no seu casamento, pode, sem motivo que justifique, começar um bate-boca com sua esposa, mandá-la embora de casa ou agredir um filho. Embora possamos predizer que seu mau comportamento e sua deslealdade vão continuar a acontecer, é impossível determinar quando, e tomar precauções contra elas. Portanto, se você conhece alguém assim, nunca confie em acordos firmados com ele, desconfie de suas promessas e nunca espere que ele vá agir conforme as regras. Sociopatas não têm consideração por ninguém.